Iodine

São uma família e tratam-se como irmãos. O seu novo disco, Izabel, conta uma história que pretende despertar consciências e “acordar as pessoas”. Acham que nunca vão ganhar dinheiro com a banda, mas a realização pessoal faz com que continuem a criar. Acabadinho de sair, o videoclip do tema “Metastasis” é mais um pedaço da história de Izabel.

Fábio Ventura e Gonçalo Domingues contam como é ser Iodine.

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                                                                                 Fotografia de João Matos

Como surgem os Iodine?

Iodine surge em 2006, já temos 8 anos de banda. Os três membros fundadores foram o Stout, o Diogo e o Rolinho(ex-membro). Quisemos logo criar um projecto de originais. Os covers só foram tocados para perceber como cada um trabalha, a partir daí começámos a compor.

O nome é apenas um nome, somos Iodine porque somos Iodine.

Como é a receptividade, a nível regional, à vossa música?

É boa, mas podia ser sempre melhor. Leiria não tem um meio de Hardcore e Metal muito grande. É bom, mas vê-se pouca afluência, cada vez menos pessoas a irem a concertos. Não só por ser um género mais alternativo, temos assistido a vários concertos com cada vez menos gente. As pessoas estão mais preguiçosas a nível de se deslocarem a concertos. Antigamente as bandas eram pagas pelo bar e agora só recebem o dinheiro da porta. Uma vez fomos tocar a Lisboa, tivemos uma bilheteira terrível e com as percentagens feitas recebemos 10 euros. Ou seja, tivemos despesa. Muitas vezes, e quase sempre, os rendimentos da banda vêm do merchandise.

O mais recente disco é a banda sonora de uma história bastante elaborada. Como surgiu a narrativa toda que envolve Izabel?

Surgiu de uma imagem que se passa hoje em dia no nosso país. Liberdade de expressão, situação política, surge um bocado daí. As ideias surgem normalmente da cabeça do Diogo, mas expressamo-nos todos de forma igual. Quisemos dar uma voz mais interventiva a este disco, acordar as pessoas. Nada está no disco por acaso. Até o logótipo tem o seu propósito, representa os mais fortes que conseguem sair do círculo.

O vosso último vídeo, Metastasis, é mais um pedaço da história. Falem-me sobre este vídeo.

O vídeo conta com a protagonista, Izabel, que tem cancro, e ilustra a letra da música. É uma revolucionária que vai morrendo aos poucos no videoclip. Está cheio de simbologias, assim como o disco.

Mudaram de guitarrista há pouco tempo. Que implicações é que isto teve na banda?

É complicado no início, já é a segunda vez que trocamos. O guitarrista tem de se inserir na banda, entrar no barco e começar a remar para o mesmo lado que nós. Tem de aprender como nós trabalhamos, é isso que demora mais tempo. Vamos gravar agora o quarto disco, quando ele souber todas as músicas. Prevemos começar a gravar em 2015.

Histórias engraçadas de Iodine?

Uma vez saímos para dar um concerto perto de casa. Quando chegámos, vimos que o palco era uma carrinha do peixe e que o PA era uma aparelhagem. Claro que não tocámos, mas ficámos a beber copos e a comer bifanas.

E dar concertos sem meias? Já tocámos em sítios com falta de papel higiénico nas casa de banho, e antes uns pés descalços do que um cu sujo!

A história da carrinha também é caricata. Originalmente era branca. A pantera surgiu porque um homem propôs pintá-la, a troco de duas garrafas de whisky. No entanto, tinha uma condição – só pintava durante noite. Era um homem que andava meio fugido, não podia entrar na Alemanha por ter estado envolvido com uma menor.

Temos histórias que nunca mais acabam e outras que são muito javardas para contar!

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Com tanta testosterona numa sala de ensaios, quais são os procedimentos para uma boa dinâmica de trabalho?

Às vezes chocamos. Fazemos uma música e se um não gosta, vai logo para o lixo. Isto gera confusão e revolta, é normal. Tentamos sempre que todos gostem, porque nenhum de nós vai ganhar dinheiro com isto. Conviver em tour também não é fácil, 24 horas numa carrinha com as mesmas pessoas. Temos de conhecer os limites de cada pessoa. Já houve choros e bulhas, mas faz parte. Discutimos e passado 20 segundos está tudo bem.

Nós não somos bem uma banda, vemo-nos como uma família. Tratamo-nos como irmãos. Iodine não são só 5 elementos, são os nossos amigos, as nossas namoradas, ex-membros, e os próprios fãs. Não é a banda em si que faz a banda,  mas sim pessoas que a ouvem.

Vamos chegar a velhos e dizer que perdemos montes de dinheiro com a banda e nunca deu em nada, mas o mais importante é que curtimos para caralho.

Iodine

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