DAPUNKSPORTIF

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A receptividade do público à sua música “não é um flirt musical”. Há muito que entrámos num romance sério com DAPUNKSPORTIF, que têm deliciado fãs de Norte a Sul de Portugal com Fast Changing World, o seu terceiro trabalho. O seu próximo álbum já tem nome e vai “abrir um pouco a paleta sonora”. Paulo Franco, João Guincho, Zé Carlos e Nuno Rancho estiveram em conversa com Moonspire.

Fast Changing World tem uma sonoridade um pouco diferente dos vossos trabalhos anteriores. O que motivou esta mudança?

Paulo: Em todos os álbuns há uma evolução. Quando chegas a um terceiro tens mais atenção a pormenores – é uma evolução natural. O objectivo deste trabalho foi conciliar o que tínhamos feito no primeiro e no segundo, e “arrumar a casa”.

Vários bateristas participam em FCW. Porquê esta opção?

João: Não é um facto que tenha só acontecido no terceiro álbum. No segundo, Electric Tube Riot, também trabalhámos com vários bateristas. Convidamos sempre pessoal para partilhar um pouco da nossa música. Como conhecemos, felizmente, bastante pessoal que toca, gostamos sempre de convidar malta para incluir o seu cunho pessoal nas malhas. Foi o que aconteceu em Fast Changing World. Convidámos uma série de bateristas amigos (que tocam também connosco em Dapunksportif) e outros mesmo só pela amizade. Algumas malhas deste álbum, inclusive, tinham o cariz de determinado músico, determinado baterista. Foi por isso que escolhemos vários amigos e bateristas com géneros diferentes, para participar no álbum.

Qual o balanço que fazem da tour até agora?

Paulo: Há que desmistificar o termo “tour”. Já vimos bandas que, com duas ou três datas, dizem que estão numa tour. Logo aí, é difícil ter uma regularidade de concertos que permita à banda ir crescendo ou ganhando novo público. Há uma grande lacuna a nível nacional do circuito underground musical independente. Toda a banda quer tocar em palcos grandes e nesses grandes festivais… Mas, na essência, qualquer banda dita Rock tem que passar neste circuito e nós temos desbravado por aí. Andamos por Portugal de Norte a Sul e tentamos manter alguma regularidade. Não ficamos à espera que nos contactem, mandamo-nos para a frente e contactamos os locais. Para além de tocarmos uma vez, tentamos tocar uma segunda ou uma terceira (espaçadamente, claro) para tentar ganhar novo público. Não é logo à primeira que as coisas acontecem. Conseguir concertos em Portugal é complicado. Nós lutamos contra isso, e pode dizer-se que fazemos pequenas tours de 7, 8, 9 datas. Com Fast Changing World, a nível desse circuito, já fizemos 30, 35 concertos e notamos que temos de continuar a alimentar esse circuito. Não podemos estar à espera de um concerto grande de Verão, tocar uma vez por ano é um ato isolado. Uma banda de Rock tem que tentar ir para a frente.

Quando eu e o João começámos este projecto, uma das coisas que falávamos na sala de ensaios era a vontade de partilhar a música, partilhar o palco. Música é partilhar, não fizemos este projecto baseado em mim ou no João. O que interessa aqui é Dapunksportif. O Zé está connosco há 8 anos a tocar ao vivo. Sempre convivemos com várias pessoas e sempre foi interessante. Não é um capricho nosso, aconteceu assim.

Como tem sido a receptividade do público?

21098_795201030561201_4110194390093749718_nHá vários factores a ter em conta, como a dinâmica das casas. É difícil encontrar casas que se mantenham activas há bastante tempo para ganharem a sua clientela. Tens um exemplo de um bar que é fulcral, o Bafo de Baco em Loulé. Existe há 21 anos, mas como está no Algarve torna-se um bocado complicado ir lá tocar, a nível financeiro. Quando vamos lá, temos sempre no primeiro concerto cerca de 50 pessoas, no segundo 80, no terceiro 100. As coisas têm corrido bem a esse nível. Não perdemos público, conseguimos manter e ganhar. Tens que ter um bocadinho de sorte também nestas coisas. Ultimamente os hypes não andam muito atrás do Rock. As pessoas vão ver o que querem ver, partilham aquilo que querem partilhar e comentam aquilo que querem comentar. Conseguimos estar sempre com um pé mais na realidade do que no virtual. De certa forma, a adesão do público tem sido bastante real. Não é momentânea, não é um flirt musical.

Essa resposta faz transparecer uma certa crítica ao panorama Rock actual. Querem acrescentar alguma coisa sobre isso?

Paulo: É uma observação, uma constatação. As bandas devem concentrar-se em fazer música e mostrá-la. Hoje em dia uma banda tem que saber promover, negociar e fazer os descontos correctos. Tem que saber um pouco de tudo. Já não podes entrar naquela do “sou um grande maluco”, esses tempos passaram. Temos que estar conscientes da realidade ou o lado financeiro manda abaixo a banda. É isso que se passa, Portugal teve um corte drástico no financiamento da cultura. Estão agora a surgir associações e ainda bem que isso acontece. As pessoas estão a procurar formas de ultrapassar isto.

João: Na minha concepção de Rock, o Rock que eu conheci já não existe. Ver uma banda considerada Rock quando não existe distorção na guitarra, não há uma bateria forte, não há um baixo forte nem uma atitude assertiva… leva-me a crer que o Rock actualmente não existe. Na forma como eu vejo o Rock, não me consigo situar muito bem hoje em dia. É um problema para o Rock porque não há unidade nem um conceito bem definido. Surgem novos movimentos de música que, para mim, não são Rock e são conotados como tal. Uma banda que tem a formação de bateria, baixo, guitarra e voz fica um bocadinho desfasada. Falta um bocadinho de atitude, as bandas são soft. Para uma banda como nós, Dapunksportif, pode ser um entrave ou uma barreira. Não sabemos onde nos inserir. Eu insiro Dapunksportif em Rock, mas a categorização do nosso som varia de interpretação. Não chamamos as coisas pelos nomes. Quando vês um concerto do Dave Grohl, ouves as guitarras e as baterias sabes que aquilo é Rock! O que passa cá para fora hoje em dia não é. É difícil conseguir ter um trilho certo e perceber por onde queremos ir.

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Para quando o próximo trabalho? 

Paulo: Eu e o João já andamos a “encher a barragem” (como costumamos dizer) com malhas, riffs de guitarra, coisas soltas, ideias. Na sala de ensaios já temos o chamado “esboço sonoro”. Já há uma temática em que nos queremos basear para escrever.

O tema surgiu de um dos primeiros nomes que queríamos dar à banda e que depois ficou guardado: “Sounds of Squeeze’o’phrenia”. É um trocadilho. Chegámos a um ponto em que queremos abrir um pouco mais a paleta sonora, e a esquizofrenia tem um bocado essas valências de personalidade.

João: Com Fast Changing World fechámos um círculo em termos da produção e do som que queríamos. Este “Sounds of Squeeze’o’phrenia” vai permitir-nos mudar um bocado o som. Temos sempre malhas muito rápidas, meio punk, meio metal. Queremos abranger outros sons mais lentos e mudar um bocadinho agora.

Paulo: Em vez de serem só rectas na estrada, vamos passar a entrar nas curvas e de vez em quando vamos ter de afrouxar um bocadinho.

Há alguma história de estrada engraçada para partilhar com os leitores?

Zé Carlos: Há muitas histórias. Houve um concerto na Serra da Estrela, durante um festival. Acabámos o concerto e saí da bateria a correr lá para trás. Estava lá um segurança do palco que perguntou ao Paulo se o baterista da banda era o baterista dos “Foot Fighting”.

Paulo: Pensava mesmo que o Zé era o Dave Grohl.

Zé Carlos: É um bom nome para uma banda de tributo.

 

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