Lena d’Água & Rock’n’Roll Station

imagem_imagem_lena_agua_rrstation4290_ritaca_1397474                                                                              Fotografia de Rita Carmo

Lena de Água, icónica vocalista nacional cujo início de carreira data de 1976, juntou-se ao grupo de elite do Rock português Rock’n’Roll Station, formado por Paulo Franco, João Guincho e Pedro Cação.

O resultado traduz-se num projecto que, com Carrossel – o seu primeiro trabalho – oferece um refrescante peso à nostalgia da bela década de 80. A inconfundível voz de Lena alia-se ao “mais sincero” Rock’n’Roll, num repertório que qualquer português devia ter vergonha de não conhecer. Pelo meio de muita boa disposição, conversaram com Moonspire antes de um enérgico e memorável concerto no Beat Club, em Leiria. 

Como surgiu este projecto e qual é o seu conceito?

Foi um daqueles encontros ocasionais, pessoas conhecidas que falam. Surgiu a oportunidade de nos encontrarmos para experimentar algo e criou-se logo uma química. Nós [Rock’n’Roll Station] gostámos bastante do reportório da Lena e ficámos a conhecer também algumas músicas que não conhecíamos. Aliás, na música nacional portuguesa há muita coisa que nos passa ao lado. O projecto começou, então, de forma natural. Montámos o reportório e as novas versões, ensaiámos, tocámos. No fundo é isso, é essa a essência de uma banda, e é igual para todas. As coisas têm funcionado. Podia haver mais concertos, mas esse é um mal de que todas as bandas falam. Ana Moitinho é o denominador comum, foi quem fez a ligação entre a Lena e Rock’n’Roll Station.

Estão previstos temas originais?

Paulo: Continuamos activos na composição musical noutros projectos. Estamos a ver se a Lena escreve umas coisas para depois fazermos uma manta de retalhos e ver o que sai. Também podemos escrever algo com que a Lena se identifique, mas Luís Pedro Fonseca é um compositor/autor exímio, daquelas personagens fulcrais da música, principalmente do pop, do psicadelismo e do progressivo de finais dos anos 70… Foi um grande compositor e temos de estar à altura disso.

Em termos gerais, o que mudou no panorama musical desde o tempo dos Beatnicks?

Lena: No tempo dos Beatnicks não havia passagens na rádio, não haviam idas à TV, não havia discos, só concertos ao vivo e músicas feitas em grupo.


Como tem sido o feedback do público?

Paulo: Excelente. Toda a gente conhece as melodias cantadas pela Lena ao longo dos anos. Podem até não associar à Lena, mas conhecem a música. Temos o exemplo da música do OLX, o Robot. Muitas das músicas, na altura, começavam como jingles que eram recusados.

Lena: Quando conheci o Luís Pedro e o Zé [com quem fundou Salada de Frutas], eles trabalhavam em publicidade. Fizemos dezenas de jingles e um deles era o Robot, que foi recusado pelo cliente e ainda bem! Agora, ao fim de 30 anos, aparece o OLX a chamar-me para cantar, com uma letra diferente.

João: É muito bom ver que, apesar da roupagem Rock, as pessoas conhecem e cantam as músicas. Alterámos a sonoridade, mas o esqueleto das músicas está lá, e está a voz da Lena, que está apuradíssima e cada vez melhor.

Como é trabalhar com a Lena?

João: Na primeira vez que tocámos com a Lena, a sensação que tive foi a de que a voz da Lena era igual à dos discos antigos. Foi muito porreiro!

Pedro: Tenho sempre um gosto enorme quando vamos ensaiar. Às vezes penso que as músicas são nossas.

Lena: Agora são!

Paulo: Para além da voz, a Lena tem a atitude! Tem uma atitude de que eu gosto. A Lena agarra as canções, que já vivem dentro dela. Nós funcionamos como o veículo, e a Lena funciona como a condutora.

João: Fizemos a nossa interpretação das músicas – usando a nossa linguagem – e a Lena mantém aquela voz característica que faz o elo de ligação com a nossa versão. Toda a gente conhece a Lena. Até numa variante de trash metal funcionaria.

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A voz da Lena mantem-se incrível. Há algum truque ou cuidado particular com a voz?

Lena: Não. A voz reflecte a alma. A vida, a experiência, o sofrimento, a perda e as paixões vão-se acumulando na voz. É isso que eu sinto. Em toda a minha vida fui acumulando experiências muito difíceis, outras de grande alegria… É isto tudo que se reflecte na voz que sai.
Ando descalça, não tenho cuidado nenhum com as correntes de ar, mas tenho cuidado com o sol. Ando sempre com chapéus. Uma professora de canto que tive há muitos anos – uma senhora de 80 anos – disse-me que podia até beber vinho branco em pequenos golinhos, mas que tinha de ter cuidado com o sol. O sol faz a voz nasalada, por isso é o único cuidado que tenho. No dia-a-dia, uso a voz sem ser de forma esforçada. Tento não magoar a voz.

Qual é a vossa versão preferida do tema “Robot” – Salada de Frutas, Rock’n’Roll Station ou OLX?

Todos: Com todo o respeito ao original, Rock’n’Roll station!

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