Souq سوق

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Souq: palavra árabe que significa “mercado”.

Os Souqs árabes situavam-se na periferia das cidades. Eram, no entanto, o local escolhido para acontecimentos de relevância cultural e artística e, por esta razão, as cidades começaram a formar-se à sua volta.
Bruno Barreto (baixo), Bruno Tavares (voz), Jorge Loura (guitarra), Jorge Oliveira (bateria), Paulo Gravato (saxofone), Rui Bandeira (trombone) e Gabriel Neves (saxofone) são os Souq, projecto iniciado em Aveiro em 2009. A banda fez as delícias dos que foram às Hardsessions#08 com um showcase no espaço Fabrica e um concertozaço memorável no Palco do partido. Moonspire esteve à conversa com Jorge Loura e Bruno Tavares, que apreciaram o público “caloroso” da zona centro.

Em que é que o vosso projecto se relaciona com este termo?

Jorge: Toda a gente que já teve uma banda passou por esse dilema que é a escolha do nome – todos os nomes são maus até a banda ser grande. Acho que os Pantera, quando fizeram o nome devem ter achado horrível, mas são os Pantera. Queríamos um nome que fosse simples e que não fosse nem em português nem em inglês, de preferência de uma língua estranha. Souq surgiu primeiro como um nome interessante e só depois é que pensámos no conceito que podia vir daí. Foi um acaso, mas faz todo o sentido.

Bruno: Apesar de sermos um país pequenino, as coisas são todas centralizadas. Há Lisboa, de vez em quando também há Porto, e nós estamos um bocado afastados das metrópoles. Estamos em Aveiro, estamos a meio caminho. A nossa esperança é que, independentemente do sítio onde nós estivermos, o que interessa é a música. Não interessa se estamos perto de Aveiro ou não. Ou seja, esperançosamente um dia a metrópole musical vai crescer à volta do souq.

Jorge: Esta metáfora também é musical, no sentido em que não estamos a fazer propriamente aquilo que está nos centros musicais – a ditadura do single, a ditadura dos três minutos e meio, a ditadura do refrão bonitinho. Estamos a fazer coisas que na nossa cabeça são ultra-simples.

Já fizeram todos parte de projectos anteriores, podem identificar alguns?

Jorge: Zen, Turn Off, Expensive Soul, GNR, Fingertips, Azeitonas, We Trust.. Fora isto, somos músicos e tocamos com quem gostamos e com quem gosta de nós.

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Sei que é da vossa opinião que Aveiro está “a ferver”. Acreditam que pode ser uma futura capital da música? 

Jorge: Em termos criativos sim. Em termos concretos de se tornar um pólo, não (na minha opinião). É impressionante a quantidade de talento que há em Aveiro, em todas as artes. Se isso vai ser reconhecido a nível nacional, duvido. Aveiro está a ferver, de facto.

O disco – At La Brava – tem um fio condutor e um conceito definido. Podem explicar melhor esta história? Elaborar um pouco?

Bruno: O Loura [Jorge] começou, inicialmente, a compor alguns esqueletos das canções sozinho. O Bruno depois juntou-se, assim como o Jorge, o baterista. Começaram a trabalhar as coisas como power trio e a criar esqueletos. Entregaram-me uma maquete com esses esqueletos. Tinha quatro canções que viriam a ser a “Maniqueen”, a “At La Brava”, a “Blood on Dry Year” e a “Card Player”. Depois foi uma coisa inata – sempre gostei de cinema. Acho muito aborrecido quando as pessoas começam a escrever letras sobre elas próprias “a minha namorada deixou-me, estou tão triste, sinto-me tão sozinho”. Acho muito mais interessante pôr pessoas que realmente sejam interessantes a passar por essas coisas. Começaram a aparecer personagens como uma rapariga que entrou na Maniqueen – ela vinha numa passadeira mas havia algo misterioso naquela rapariga, e as histórias começaram a surgir. Enquanto eles foram criando, eu só juntei os pedaços e foi um processo natural. Passa-se tudo na cidade imaginária de La Brava, que é uma junção de várias épocas e várias cidades norte-americanas. Esta história é a parte do meio e vai ter a conclusão no volume III. Conclui com uma prequela, em princípio. Podemos até lá decidir gravar 4 discos.

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Projectos futuros?

Jorge: Em Junho sai o livro de um concerto no Teatro Aveirense muito bem fotografado por dez pessoas diferentes. Fizemos uma coisa estranhíssima: não havia plateia. Fechámos a cortina e o público estava connosco em cima do palco. Foi uma aventura para o Xavier (o nosso técnico de som), mas correu muito bem. O Paulo Moreira, que é o homem das fotos, vai editar um livro com as fotografias desse concerto e nós vamos editar apenas em formato digital. Não estava previsto, mas quando ouvimos a gravação decidimos que valia a pena. É o At La Brava quase na totalidade, com mais alguns pormenores e ideias, e um tema extra que só é tocado ao vivo. Estamos agora a fazer a pré-produção para sair o próximo disco em Março do próximo ano.

Bruno: Em princípio o volume III vai ser mais mexido e mais ácido, enquanto o volume I deve ser mais sóbrio e “a preto e branco”.

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Qual o balanço que fazem das Hard Sessions #08?

Jorge: Balanço muito positivo. Fomos muito bem tratados e o público correspondeu e esteve connosco. As Hard Sessions são grande iniciativa. Seria bom que existisse algo assim em mais cidades.

Bruno: Eu concordo perfeitamente. O público foi extremamente caloroso (sendo CALORoso a palavra chave de uma noite bem intensa). Os meus mais sinceros parabéns à organização, que nos tratou de maneira excepcional.

Souq @

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