Miss Lava

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Com 10 anos de Rock, Miss Lava são uma referência de peso na cena musical portuguesa e já aqueceram o público para grandes nomes como Slash e Queens of the Stone Age. O seu som Stoner de barba rija dispensa apresentações e o seu próximo álbum, sucessor de Red Supergiant, deve chegar às bancas em meados de Outubro deste ano. Johnny Lee , K. Raffah, J. Garcia e Ricardo Ferreira falam sobre a erupção que se avizinha, que conta com sonoridades novas e muito pêlo no peito.

Como é que os Miss Lava se posicionam no panorama rock actual?

Raffah: No início pensávamos mais no posicionamento. Hoje em dia preocupamo-nos mais em fazer o que queremos, sabendo que somos uma banda Rock. Olhamos para trás e sabemos que temos um histórico muito vincado no Stoner. O último disco acabou por ficar um Stoner Metal, digamos assim. No futuro será um Stoner rock com psicadelismo à mistura. Mas somos, a nível de posicionamento, uma banda Rock com uma grande costela Stoner.

O que acham do que hoje se faz de Rock em Portugal?

Raffah: Hoje descobri uma que eu nunca tinha ouvido, os Stone Dead. É espetacular! Isto para dizer que cada vez há mais bandas e são cada vez melhores. Sempre que vamos fazer um concerto e descobrimos que a banda que vai abrir é muito boa, vamos falar com eles. O Rock está com muita saúde e há muitas bandas novas.

A vossa música já foi descrita como “a força do rock com o sedutor calor feminino.” Podem explicar esta relação e inspiração?

Ricardo: Acho que está associado ao grafismo dos primeiros trabalhos. Os Miss Lava são, para mim, pioneiros como banda que começa do zero mas que leva a coisa com o profissionalismo de quem tem algo a afirmar. Na altura em que começaram era importante dizer o que somos. A banda sempre teve um som muito forte, muito característico. O Rock aquece o sangue, e o sangue leva a tudo o resto – à sedução, por exemplo. Tem tudo a ver com isso, com a força que tem a música, onde ela nos leva e as sensações que ela nos transmite. Caso contrário tocávamos Country.

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Olhando para a vossa página é fácil detectar que são fãs de Charles Bronson, um actor americano conhecido por ser um “homem de poucas palavras e muita acção”.

Johnny: Toda a estética dos filmes de anos 70 e 80 é algo que nos agrada, mas na realidade foi o Raffah que se enganou e pôs a fotografia na página da banda em vez de pôr no perfil dele. Ficou no histórico. Mas a estética tem tudo a ver connosco, o Charles Bronson é o maior. Nunca sorria e naquela foto está a sorrir. É o maior!

Raffah: Tudo o que consomes acaba por passar para a música, e esse tipo de estética também. Tudo lá vai parar, principalmente o que “bebemos” quando somos mais novos.

Red Supergiant não é apenas um excelente álbum a nível musical, como também a nível gráfico. Está repleto de pequenos detalhes e símbolos. Podem explicar o conceito e a simbologia do álbum?

Johnny: Todo o ambiente é meio espacial. Quisemos que os símbolos parecessem linguagem extraterrestre.

Raffah: É uma linguagem gráfica um bocado orgânica e eles [MAGA Atelier] tentam, de alguma forma, representar aquilo que cada música traz para o disco, como se cada uma tivesse vida própria. Os elementos não são simétricos, têm sempre uma falha ou outra, como qualquer pessoa. Inserem-se num universo cósmico. O último estágio da vida de uma estrela chama-se Red Supergiant. Quando olhamos para trás, para tudo o que aconteceu com a banda, era mesmo isso – parece que a banda estava a caminhar para explodir ou, neste caso, implodir. Todo o processo do disco foi muito intenso e desgastante, foram muitas horas de trabalho e Red Supergiant mostra essa mesma tensão que há dentro de uma estrela. Dessa explosão resultou outra banda – que é quem somos hoje – com um novo membro, o Ricardo.

Com quase uma década de banda já aconteceram, certamente, muitos episódios engraçados. Há algum que queiram partilhar?

Johnny: Muitas! Em Panóias, tínhamos a bancada do merch com o nosso vinil à venda. Aparece um gajo bêbedo (podre, mas podre!) com os seus 50 anos, e começa a perguntar pelo seu casaco enquanto dá murros no vinil. Expliquei-lhe que aquilo era a nosso material, pedi-lhe para não estragar o vinil e ele, pimba, outro murro no disco. “Já te disse que não é para dares murros no vinil!”.

Raffah: Quando ele volta a dar outro murro no vinil o João eleva-se no ar, bate no peito do homem e ele vai para trás a cambalear de costas até bater com a cabeça.

Johnny: A banda estava a tocar e ouviu-se o som. Eu levantei-me a pensar que tinha morto o homem. Ele tenta levantar-se e desmaia. O homem lá foi expulso e eu fiquei cheio de culpa.
Outra história gira aconteceu quando estávamos a tocar em Madrid e apareceu uma gaja – que só podia ser ex-prostituta – e, muito bêbeda, sacou o bilhete de identidade para mostrar que tinha nascido em Portugal. Não falava uma palavra de português, mas começou a agarrar-se a mim e a dizer “¿Porque no me follas hoy?”. Chamei um amigo e ela agarra-se a ele e diz-lhe “¿Porque no me follas hoy?”! Queria levá-lo! Ele fugiu também. Só visto!
Para terminar, posso contar a história da gravação do vídeo “Ride”. Estávamos nos Estados Unidos e a ideia era filmar em Las Vegas. Combinámos ir a um sítio onde se alugavam uns carros com pinta e, quando lá chegámos, um dos carros não pegava. Um gajo mexicano disse-nos que o primo dele tinha um carro, então pagámos o dinheiro adiantado e combinámos para as 6 da manhã. Nesse dia, passámos o dia a gravar e dormimos menos de uma hora. Chegámos ao pé dos mexicanos a pensar que ainda íamos ser assaltados, e vemos um carro com power, mesmo como queríamos, e eles foram muito fixes. Fomos para um sítio chamado Red Rock Mountain e gravámos lá, espectacular!

Para quando podemos esperar uma nova erupção do vulcão?

Johnny: O disco está gravado. Neste momento, só faltam quatro músicas para estar pronto e enviar para os Estados Unidos para misturar. A arte também está quase pronta, a capa está praticamente feita. Esperamos que lá para Outubro ou Novembro. Já estamos a apresentar temas novos ao vivo.

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Fotografias de Ricardo Graça

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