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Paulo Zé Pimenta, cantautor dos temas “Cara de Chewbacca” e “Croquetes“, foi um dos artistas favoritos do público no passado Super Bock Super Rock. O seu último álbum, “Mensagens da Nave-Mãe”, é um aglomerado de sonoridades electrónicas que ilustram letras descomplexadas e provocadoras, deliciando o ouvinte desde a primeira à última faixa. Moonspire foi de boleia na Nave-Mãe e conversou com PZ, que diz que está com a “Neura” como quem diz que está com a Lua. 

Qual foi a fonte de inspiração para “Mensagens da Nave-Mãe”?

Foi baseada num momento. Estava numa after-party num apartamento, e um amigo olhou para mim e disse que eu estava a receber “mensagens da nave-mãe”. Estava completamente out, voltei à Terra e comecei-me a rir. Foi a referência que acabou por dar nome a este disco. Toda a temática e estética são também um bocado sci-fi, assim como a parte electrónica. Acho que teve tudo a ver e é um tema por que sempre me interessei. Será até, provavelmente, o disco mais electrónico que eu tenho – não toco instrumentos nenhuns, só sintetizadores. Muita programação de beats e elementos que remetem para o universo sci-fi, como o techno e o trip hop, sempre tiveram essa ligação com o espaço.

Como tem reagido o público ao álbum?

Acho que é o álbum a que tem reagido melhor. As pessoas vêm ter comigo no final dos concertos para dizer que conhecem as músicas, mesmo as que não têm videoclips.

Podemos dizer que o teu registo, que combina electrónica e hip-hop de uma maneira muito própria, é pioneiro?

É um registo diferente mas vai buscar influências a todo o lado. É uma mistura! (Como falo no tema 100% Natural). É uma mistura de várias influências que eu tenho, como de pop, hip-hop. Ser diferente não significa ser pioneiro, acho que é muita coisa para me catalogar. Sou muito inspirado pelos beats que faço. 

Quais foram as tuas influências? Cresceste a ouvir o quê?

The Smiths, The Cure, Leonard Cohen, Led Zeppelin, David Bowie. Também apanhei Nirvana e Pearl Jam. O meu pai levava-me a vários concertos, quando era puto ía com ele. De música portuguesa: GNR, António Variações, Repórter Estrábico (até já me disseram que tenho algo a ver com eles, que será banda mais parecida com o que faço), Manuel João Vieira. De jazz gosto de muita coisa e de hip-hop gosto de Dr. Octagon e Method Man. No hip-hop português – Pião, Mind da Gap, Corona (que editámos na Meifumado). Na electrónica também tenho um rol muito grande de influências de techno alemão dos anos 90, minimalismo alemão, hip-hop americano e  pop no geral.

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És um homem dos 7 ofícios (músico, realizador, sócio-fundador da editora Meifumado, pai). Fala-me um pouco sobre estes projectos e explica-me, por favor, como concilias tudo.

Tenho uma mulher do caraças! [risos]. Ajuda muito! Tenho a vantagem de trabalhar em casa, passo algum tempo com os meus filhos. Na parte da realização, faço os meus próprios videoclips, assim como os das bandas que passam pela Meifumado. É uma coisa que gosto de fazer, tanto para mim como para os outros, então aproveito.
A Meifumado surgiu em 2005, surgiu com a necessidade de começar a editar coisas minhas e do meu irmão, Zé Nando Pimenta, que também faz parte da editora. Fomos conhecendo bandas interessantes, gostamos de editar coisas fora do normal. Só editamos coisas das quais gostamos muito. Não é uma questão de “isto vai fazer dinheiro ou não vai?”. Claro que se tiver potencial, melhor ainda, mas é mais pelo gosto musical. Antes éramos mais inocentes, já não editamos tantos discos como antes. Temos uma equipa que consegue jogar bem com o tempo.

Já tiveste histórias engraçadas no teu percurso? Temas como “Cara de Chewbacca” devem fazer com que sejas abordado de maneiras, no mínimo, originais.

No Youtube já fizeram um comentário muito engraçado na música “Croquetes”. A teoria do autor era: “ele fala de croquetes e fala de batatas, um croquete e duas batatas – o que é que dá?  + que se foda o bacalhau = é homossexual”. A ambiguidade na música dá sempre azo a comentários estranhos.
Muita gente seguiu a história da Provedora do Ouvinte, da RTP. Houve uma emissão em que estavam a falar de palavrões na música portuguesa, e a provedora usou a “Cara de Chewbacca” como exemplo. Não tenho problema nenhum em dizer “que se foda”. Se as rádios quiserem pôr um “pi” por cima, por mim tudo bem. O problema é que, depois disso, ainda disse que a música era sexista e que denegria o papel da mulher na sociedade moderna. Analisou a música frase a frase. Isto durou uns três episódios seguidos, até que lhe falei e fui ao programa (ela só passou uma parte do programa). Foi um momento surreal, parecia Diácono Remédios. “Cara de Chewbacca” é, obviamente, uma paródia. Acho que toda a gente percebeu é uma paródia! Não sei de onde é que aquilo veio. Postei a situação no Facebook e toda a gente saiu em defesa da ”Cara de Chewbacca”. Tantos gajos do hip-hop que dizem coisas bem piores e a Provedora acha que o ouvinte não percebe que aquilo é uma sátira. Fiquei um bocado chocado com a situação.

Fotografias de Cátia Marcelino

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