Surma

10859640_975482859132574_725590023_n                                                 Fotografia de Matilde Soares

Débora Umbelino é a talentosa jovem de 21 anos que dá vida ao Projecto noise/experimental Surma. O seu interesse pela música começou muito cedo e rapidamente revelou uma aptidão e entrega pouco comuns à sonoridade experimental, que pode ter origem em coisas tão aleatórias como um som de sapatos ou uma garrafa com arroz. O seu single e vídeo de estreia, Maasai, reflecte uma panóplia de cores musicais num cenário visual monocromático em que Débora é mais do que uma protagonista. Dotada de uma energia excepcional, Surma promete ser um dos nomes mais marcantes que a cidade de Leiria já produziu. 

Como começou o teu interesse pela música?

Quando tinha 5 ou 6 anos quis aprender bateria, mas os meus pais preferiram que aprendesse flauta e acabei por desistir. Desde miúda que sempre quis aprender música, sempre tive um grande interesse pelo ramo. Os meus pais tinham discos de vinyl e CD’s lá em casa e eu andava sempre a cuscar aquilo. Aos 13 comecei no piano mas, como eram aulas de piano clássico, desisti. Um ano depois passei para a guitarra e, como também era clássica, desisti. A partir daí fui pela vertente autodidata. Aos 18 anos entrei no Hot Club, em contrabaixo e voz, depois saí também. Estive em bandas como Backwater and The Screaming Fantasy (que agora são os Whales), e acabei por seguir um caminho a solo. Agora estou a estudar pós-produção audiovisual na Restart, em Lisboa. Queria uma vertente diferente da música e escolhi a visual.

O nome do teu projecto está relacionado com a Etiópia. Podes explicar esta relação?

Um dia estava a ver um documentário na televisão e estavam a falar sobre tribos etíopes. O nome “Surma” ficou-me no ouvido. O nome do primeiro single, Maasai, também tem uma ligação com as tribos.

12345605_1744707562424872_90175025739231085_n                                               Fotografia de Jessica Ferreira

Qual a diferença entre tocar a solo e com Backwater and the Screaming Fantasy?

É totalmente diferente. Com banda, se dás um prego, tens a banda atrás contigo. Quando estás sozinha, estás por ti. É muita pressão e lido mal com isso. Costumo ficar bastante nervosa e só à terceira música é que começo a relaxar. Retraio-me um bocado! Com a banda sentia-me mais tranquila.

Achas que a música electrónica é o futuro?

Muitas bandas estão a enveredar por esse caminho. A música electrónica está a sair aí em peso, por isso acho que sim. Uma fundação de música clássica é sempre boa para ter umas bases musicais e explorar a técnica. No entanto, não é necessária: muitas pessoas nunca tiveram formação clássica fazem coisas muito boas.

Qual o teu processo de composição?

Começa sempre por um riff muito minimal, depois vou juntando coisas em cima. Vou eliminando o que não gosto e adicionando melodias, uma baralhação autêntica. Às vezes apanho coisas giras na rua e reparo em algo que me agrada, como sons de sapatos ou qualquer outro som aleatório. Agarro no telemóvel e depois faço um sample disso. Tenho até uma garrafa com arroz que costumo usar também. Gosto de experimentar com coisas random, daí considerar a minha música experimental. Cada vez se torna mais difícil fazer algo original, mas tento sempre envergar por um caminho diferente do normal.

O que achas do panorama musical actual em Leiria?

Leiria tem crescido muito nos últimos anos, com grandes referências como Les Crazy Coconuts, Nice Weather for Ducks, Few Fingers, First Breath After Coma, Whales e Holy Northern Lights. Acho que cada vez vão surgir mais projectos novos porque temos bons apoios como a Omnichord records e o Carlos Matos. Também temos sítios fixes para tocar como o Beat Club e o Texas Bar, com pessoal muito porreiro.

Qual o balanço que fazes do teu percurso na música até agora?

Tenho noção de que é muito difícil viver da música. Às vezes temos de pagar para ir tocar, em vez de receber. Se tiveres um emprego e conciliares as duas atividades, a coisa torna-se possível. Tudo o que eu ganho tem sido investido em material, mas não consigo poupar nada. No entanto, comecei com low expectations e tem sido uma grande viagem! Tenho tido um apoio de loucos e tenho recebido convites atrás de convites para tocar.

Quais são as três bandas de Leiria em que apostavas todo o teu dinheiro?

First Breath After Coma, Les Crazy Coconuts e Nice Weather for Ducks. São bandas “do corazón” que acompanho desde o início.

12779169_1777068592522102_5590946595369654932_o        Fotografia de Joana Guilherme


Onde podemos ver Surma no futuro próximo?

Dia 11 de Março no Cine Teatro João Verde (Monção), 12 de Março na CAL (Ponte de Lima) e a 31 de Março em Leiria, com Filho da Mãe.

 Surma @ facebook

 

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